psychoactivelectricity:

Break on Through (To the Other Side) | The Doors

11:11 am  •  22 Julho 2014  •  122 notas

indubio:

I’m sorry but we’re all unsure how much you’ve had
But we think that you ought to maybe not have anymore

(Fonte: arcticbella)

11:06 am  •  22 Julho 2014  •  3.502 notas
I

Muitas vezes já me perguntei se não teria de estar mais agradecido aos difíceis anos de minha vida que as quaisquer outros. Assim como minha natureza mais íntima me ensina, tudo o que é necessário, visto de cima e na ótica de uma grande economia, é também o útil em si - não se deve somente suportar isso, mas também amá-lo… Amor fati (amor do destino): essa é minha natureza mais íntima. - E no tocante à minha enfermidade, não lhe devo infinitamente mais que à minha saúde? Devo-lhe uma saúde superior, uma saúde tal que a torna mais forte que tudo o que não a mata! Devo-lhe também a minha filosofia… Só a grande dor é a derradeira libertadora do espírito, enquanto mestra da grande suspeita que nos desengana, que nos desmistifica verdadeiramente e repõe as últimas coisas em seu devido lugar, a penúltima… Só a grande dor, essa longa e lenta dor que nos faz queimar, por assim dizer, num fogo ateado com lenha verde , que toma seu tempo - que obriga a nós, filósofos, a descer até nossa derradeira profundidade e a nos desfazer de toda confiança, de toda bonomia, de toda camuflagem, de toda suavidade, de toda meia medida, onde outrora havíamos depositado nossa humanidade. Duvido que semelhante dor nos “torne melhores”: mas sei que nos torna mais profundos… Quer seja porque aprendemos a opor-lhe nosso orgulho, nosso desdém, nossa força de vontade e façamos como o indiano que, por mais torturado que seja, se ressarce junto de seu carrasco pela maldade de sua língua; quer seja porque nos retiremos do sofrimento para esse nada, para a capitulação, para o esquecimento de si, para a aniquilação de si, mudos, rígidos e surdos: saímos de semelhantes exercícios longos e perigosos do próprio domínio, tornando-nos outros homens, com alguns pontos de interrogação a mais - particularmente com a firme vontade de interrogar doravante mais profundamente, mais rigorosamente, mais silenciosamente do que nunca… A confiança na vida já se foi, a própria vida se tornou problema. - Não se creia que, com isso, alguém se transforme de repente e necessariamente em alguém sombrio e um pássaro sinistro! Até mesmo o amor da vida ainda é possível - apenas se ama de modo diferente… É o amor por uma mulher que nos inspira dúvidas…

II

O mais singular é que: depois disso temos outro gosto - um segundo gosto. Desses abismos, e mesmo do abismo da grande suspeita, regressamos com uma nova pele, com a epiderme mais sensível, mais maliciosos, com um gosto mais sutil para a alegria, com uma língua delicada para todas as coisas boas, com os sentidos mais dispostos, com uma segunda perigosa inocência na alegria, a um tempo mais infantis e cem vezes mais refinados que outrora. Moral: não é impunemente que se é o espírito mais profundo de todos os tempos, mas também não se é sem recompensa…
Oh! Como repugna então o desfrute, o desfrute grosseiro, surdo e sombrio, como o entendem por sua parte os desfrutadores, nossos “eruditos”, nossos ricos e nossos governantes! Com que maldade escutamos doravante os intensos burburinhos da grande feira da atração, nos meio dos quais o “homem culto” e o cidadão das grandes cidades se deixam violar pela arte, pela leitura e pela música para alcançar “desfrutes espirituais”, com a ajuda de “bebidas alcoólicas”! Como os clamores de paixão do teatro nos ferem os ouvidos, como se tornaram para nós estranhos toda a agitação e o rebuliço romântico dos sentidos que afetam a plebe instruída com suas aspirações ao sublime, à grandiloquência e ao extravagante! Não, se nós, que estamos curados, necessitamos de uma arte, é de uma arte bem diversa - de uma arte irônica, leve, fugaz, serena como os deuses, de um divino artífice, que jorre como uma chama pura num céu sem nuvens! Acima de tudo: uma arte para artistas, somente para artistas. Nós nos entenderemos melhor depois disso sobre a única coisa necessária para chegar a isso, a bela alegria, toda espécie de alegria, meus amigos! Nós, os iniciados, sabemos demasiado bem determinas as coisas: oh! como aprendemos doravante a esquecer, a “nada saber” como artistas!… Quando a nosso futuro: dificilmente nos encontrarão no mesmo caminho desses adolescentes egípcios que vão de noite perturbar a paz dos templos, abalando as estátuas e querendo a todo custo desvendar, descobrir, pôr a claro tudo aquilo que deve permanecer oculto. Não, esse mau gosto, essa vontade de verdade, de “verdade a qualquer preço”, esse furor de adolescentes do amor à verdade - por tudo isso perdemos o gosto: somos para isso demasiado experientes, demasiado sérios, demasiado divertidos, demasiado esquentados, demasiado profundos… Não acreditamos que a verdade permaneça verdade depois de lhe termos tirado seus véus - já vivemos demais para acreditar nisso… Para nós é uma questão de conveniência não ver tudo a nu, não assistir a tudo, não querer compreender tudo e “saber” tudo. Tudo compreender - é tudo desprezar… - “É verdade, perguntava uma menina a sua mãe, que Deus está em toda a parte? Ah! Acho isso indecente…” - Um aviso aos filósofos!… Dever-se-ia respeitar melhor o pudor com o qual a natureza se escondeu por trás de seus enigmas e de suas variadas incertezas. Talvez a verdade seja uma mulher que tem razões para não deixar ver suas razões? Talvez seu nome seja, para falar grego, Baubo? - Oh, esses gregos! Como sabiam viver! Para tanto é necessário manter-nos corajosamente na superfície, na cobertura, na epiderme, adorar a aparência, acreditar nas formas, nos sonos, nas palavras, em todo o Olimpo da aparência! Esses gregos eram superficiais - por profundidade! E não voltamos a isso nós, os temerários de espírito,que escalamos o cume mais elevado e perigoso do pensamento contemporâneo e que, lá de cima, lançamos um olhar à nossa volta, de lá lançamos o olhar para baixo? Nisso não somos também - gregos? Adoradores das formas, dos sons, das palavras? E, por isso mesmo - artistas?
― Nietzsche, epílogo de Dossiê de um Psicólogo   (via indubio)

(Fonte: anjoinverso)

11:05 am  •  22 Julho 2014  •  100 notas

indubio:

A minha maneira de amar-te é simples:
aperto-te a mim
como se tivesse um pouco de justiça no coração
e ta pudesse dar com o corpo


Quando te revolvo os cabelos
algo de lindo nasce das minhas mãos


E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração.

Antonio Gamoneda

(Fonte: abropaginasencontroespelhos.blogspot.com)

10:42 am  •  22 Julho 2014  •  20 notas